Alma Castelhana: As mulheres do Grêmio.

Alma Castelhana: As mulheres do Grêmio.

24 de junho de 2018 Off Por Jogando Com Elas

O “Passando Pra Elas” é uma coluna semanal, onde abrimos espaço para mulheres, sejam elas torcedoras, jornalistas ou jogadoras, compartilharem um relato ou experiência do seu papel no cenário esportivo. Nesta semana, convidamos Emilly Westphal, para contar como é a sua relação com o Grêmio, seu time de coração, e com o futebol.

Confira o relato de Emilly:

“Minha relação com o Grêmio vem de muitos anos, sempre muito intensa e cheia de emoções.

A cada vitória, a cada título, uma nova história, um sentimento que vem do coração, aquela emoção de gritar: “É CAMPEÃO” que nos enche de orgulho, que nos faz chorar de felicidade. Mas nem sempre foi assim, afinal já sofremos muito, com derrotas e eliminações frustrantes…

Emilly Westphal com a taça da Copa Libertadores 2018 (Foto: Arquivo Pessoal/Emilly Westphal)

Lutamos por 15 anos, aqueles longos 15 anos em que não tivemos bons resultados, mas mesmo assim nunca deixamos de apoiar, de ir ao estádio, de bater no peito e dizer: “EU SOU GREMISTA”. Não nos envergonhamos do passado, pois isso é a nossa história! Em meio a tanta luta, provamos nosso amor, nossa garra e a nossa alma copeira. Assim nos tornamos imortais, mesmo quando o momento não é o melhor, nós o amamos mais do que tudo. Acordar feliz por ser dia de Grêmio, aguardar ansiosamente em casa, no bar, no estádio, seja lá onde for, somente para ver o jogo, ser completamente apaixonada pelo time e por cada pessoa que fez e faz parte do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Ser gremista é se doar de corpo e alma, torcer, gritar, cantar e vibrar com o time. É amar de verdade, independente do que acontecer, é apoiar. Somos quem empurra o time, somos o décimo segundo jogador, somos quem nunca o abandonou!

Mas ser mulher e fazer tudo isso nem sempre é tão simples, pois em uma sociedade machista até ao ir a um bar ver o jogo ouvimos: “lugar de mulher é na cozinha” “mulher não entende de futebol”. E quando colocamos short devido ao calor? Todas as coisas que ouvimos sobre o nosso corpo, aqueles “elogios” que não gostamos de receber, não queremos ouvir “gostosa”, “oh lá em casa”, não queremos saber, queremos só o nosso jogo. Mesmo assim, seguimos pois o amor pelo time é incondicional. Por vezes ao conversarmos ou até discutirmos por futebol, notamos o espanto e em seguida aquela frase “nossa ela entende mesmo de futebol” como se fosse algo totalmente inédito, e proibido. Ir aos jogos com as excursões? Outro obstáculo. Pois ser uma das únicas mulheres em um ônibus cheio de homens nem sempre é fácil, mesmo com grande parte dos homens respeitando e interagindo sempre tem aquele engraçadinho que acha que estamos lá por status ou para chamar atenção. É tão difícil entender que mulher também ama futebol? Estamos lutando e ganhando espaço no futebol, devemos reconhecer mesmo que ainda há tanta coisa a se fazer. Não deixamos isso nos atrapalhar pois ao pisar na arena todos os problemas se esvaem, o mundo para e só pensamos naquele jogo, só queremos sentir o momento, ser do Grêmio, ser o Grêmio e lutar pelo Grêmio. Como dizia Paulo Sant’ana “Ser gremista é o sonho delirante de na vida não conseguir ser outra coisa”. Somos copeiras. Somos do time tricampeão da América. Do rei de copas. Nós somos gremistas!”