Amor Cruzmaltino: Uma paixão incontrolável pelo Vasco da Gama.

Amor Cruzmaltino: Uma paixão incontrolável pelo Vasco da Gama.

1 de agosto de 2018 Off Por Jogando Com Elas

O “Passando Pra Elas” é uma coluna semanal, onde abrimos espaço para mulheres, sejam elas torcedoras, jornalistas ou jogadoras, compartilharem um relato ou experiência do seu papel no cenário esportivo. Nesta semana, convidamos Karen Vieira, para falar um pouco sobre a sua relação com o Vasco, seu time do coração, e a relação das outras mulheres com a torcida.

Confira o relato de Karen:

“Minha loucura e paixão pelo futebol e, principalmente pelo Vasco da Gama, se formou dentro de mim de um dia para o outro, sem influências, simplesmente nasceu. Venho de uma família toda flamenguista e sendo assim sou a “do contra” da família. Então em hipótese alguma algum deles me levariam ao tão sonhado caldeirão.

Quando cheguei a uma idade onde minha mãe já me deixava ir aos lugares sozinhas, não pensei duas vezes em procurar uma torcida organizada para sempre ir aos jogos. Conheci a Ira Jovem Vasco, onde toda aquela minha visão de ser torcida era somente chegar no jogo lá na hora e depois voltar para casa.

Enfrentar cada dificuldade em clássico, caravanas e principalmente jogos no São Januário me fez ficar cada dia mais alucinada por esse lado de organizada. Mas como o dia a dia da mulher na arquibancada se torna mais difícil a cada dia, as “dificuldades” apareceram.

Karen Vieira na sala de imprensa do Vasco com a camiseta do movimento Mulheres de Arquibancada (Foto: Arquivo Pessoal/Karen Vieira)

Nós mulheres não poderíamos ir a certos jogos ou certos lugares por ser inseguro, segundo eles. Por mais que seja “tão pouco”, existe diversas outras torcidas e clubes que proíbem as mulheres de diversas atividades no estádio e isso me deixa muito irritada com a falta de maturidade e amor ao próximo de enxergar que na arquibancada é o nosso lugar também.

Então eu conheci o movimento Mulheres de Arquibancada, onde mulheres de vários clubes e torcidas se unem para lutar pelo nosso espaço e acabar de uma vez por todas com essas piadas de que mulher só serve para fazer a comida da festa, para limpar a sede, para atrair homens. Não! LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER.

Hoje escolhi me afastar da organizada por minhas opiniões serem totalmente diferentes, continuo torcendo muito para que um dia nós mulheres possamos ser reconhecidas com nosso devido valor, dentro e fora do estádio.

Esse ano nasceu um movimento que vem tomando conta da torcida vascaína, o Vascaínas Contra o Assédio, ou VCA, que vem juntando todas nós vascaínas, de organizadas ou não. Nós somos uma só voz, todas juntas para mostrar quem somos. O amor pelo futebol nos uniu, se já era difícil lutar contra nós separadas, imagina todas juntas! NÓS PODEMOS SIM E NOS VAMOS FAZER!”