“As pessoas precisam mudar o jeito de pensar sobre a modalidade”, disse Érika, meio-campista do Corinthians, sobre o futebol feminino no Brasil.

“As pessoas precisam mudar o jeito de pensar sobre a modalidade”, disse Érika, meio-campista do Corinthians, sobre o futebol feminino no Brasil.

30 de agosto de 2018 Off Por Jogando Com Elas

Jogadora da seleção brasileira e ex PSG, a atleta conversou com o Jogando Com Elas sobre sua carreira, desafios, vida pessoal e o que espera para o futuro dentro da profissão.

Marcada por sua versatilidade dentro de campo, já que atua em diferentes posições, como zagueira e até mesmo volante, Érika é mais uma, entre tantas mulheres, que lutou para alcançar seu objetivo no futebol. Hoje, aos 30 anos, a jogadora aceitou mais um desafio em sua carreira e irá vestir a camisa do Corinthians até o final do ano.

Logo aos 7 anos de idade, Érika começou a jogar em uma escolinha de futebol do ex-jogador corintiano, Marcelinho Carioca, inspirada pelo irmão mais velho e apoiada pelos pais o que, segundo a jogadora, jamais deixou de acontecer: “Meus pais nunca me impediram de jogar futebol, ou melhor, nunca me impediram de fazer nenhum esporte, sempre me apoiaram em tudo. E simplesmente foi acontecendo”, ela completa.

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Érika vestindo a camisa da Seleção Brasileira nas Olimpíadas Rio 2016 (Foto: Arquivo Pessoal)

Experiente dentro das quatro linhas, a jogadora conta que já passou por diversas situações no futebol, mas que jamais pensou em desistir ou que então, esses acontecimentos pudessem mudar seu pensamento. A atleta ainda frisa que não é fácil ser mulher e jogar futebol no Brasil. A falta de apoio, segundo ela, é o principal empecilho para aumentar a visibilidade na categoria: “Que todos os dirigentes dos clubes possam realmente entender que o futebol feminino é um produto que muitos procuram, mas de difícil acesso por conta dos bloqueios deles”, cita Érika. Mesmo assim, a jogadora ressalta que, apesar de ser pouco ainda, a categoria vai conquistando seu espaço no cenário futebolístico.

Recém chegada ao Brasil, vinda do futebol europeu, totalmente diferente do novo desafio, Érika conta que o estilo de jogo no exterior é outro, principalmente na França, onde a jogadora atuou por três temporadas. “No Brasil é mais técnico, porém na França já é mais truncado, forte, talvez um pouco mais violento, diz a jogadora. Contudo, o apoio é maior no campeonato feminino francês do que no brasileiro, conforme a própria atleta: “A mesma forma que os clubes do Brasil tem dificuldades de crescer, os da França também tem. Porém um pouco menos, já que lá eles dão um pouco mais de valor à modalidade.”

De casa nova, Érika assinou contrato com o Corinthians. Mesmo com uma cirurgia prevista para retirada de um cisto do ovário, a atleta ficará se recuperando já em seu novo clube. Sem pensar em atuar até o final do ano, ela conta que foi pega de surpresa, mas que decidiu aceitar o convite da equipe paulista: “Não era o meu objetivo jogar esse final de ano, o maior objetivo e obrigação era fazer a cirurgia. E então recebi uma proposta do Corinthians, meu coração acelerou bastante no primeiro minuto por ser corinthiana, por ser também uma realização do meu pai. Depois de uma semana o Corinthians entrou em contato novamente e só assim aceitei.” A jogadora ainda reforça que a saída do PSG foi tranquila e que não houve problemas envolvendo sua situação contratual.

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Érika atuando por seu antigo clube, Paris Saint – Germain (Foto: Arquivo Pessoal)

Agora, o foco é totalmente voltado para sua recuperação. “Espero poder ajudar a equipe o mais rápido possível. Estou ansiosa pra começar a treinar com bola”, destaca a atleta.  Já para o ano que vem, Érika sonha com a vaga para a copa do mundo: “Estamos sempre trabalhando para estarmos preparadas para servir a seleção brasileira, e dessa vez não será diferente. Até a lista final tem tempo.”

Para encerrar a entrevista, Érika ainda deixou um recado para as meninas que sonham, no futuro, serem jogadoras de futebol: “O incentivo maior é não deixar de acreditar nos sonhos, não desistir de nada, pois tudo é possível. Nada vai vir fácil, então precisamos buscar até o final e quando tu achar que já chegou o final e não da mais, continue e continue. Dificuldades e preconceitos vão surgir, cabe a nós querermos passar por isso ou deixar que nos impeça de seguir.”