Com a base da equipe campeã gaúcha em 2019 mantida, Inter chega com fortes credenciais para a disputa do Brasileirão A1

Com a base da equipe campeã gaúcha em 2019 mantida, Inter chega com fortes credenciais para a disputa do Brasileirão A1

2 de fevereiro de 2020 0 Por Jogando Com Elas

(Foto: Divulgação / S.C. Internacional)

 

Em seu segundo ano na disputa, Gurias Coloradas sonham com a conquista nacional.

 

Após campanha histórica na elite do futebol nacional e título gaúcho em 2019, as Gurias Coloradas vão em busca de uma mudança de patamar em 2020. Com reforços de peso e incremento de jogadoras que foram campeãs brasileiras sub-18 no ano passado ao elenco principal, o time feminino do Colorado chega com a moral elevada na presente temporada para, quem sabe, brigar pela taça.

A cobertura dessa nova temporada sobre o maior campeão gaúcho do futebol feminino você acompanha, claro, aqui no Jogando Com Elas.

 

Confiança em alta após um grande 2019

O ano de 2019 foi classificado como histórico para o futebol feminino do Internacional. Herdando a vaga na série A1 do Campeonato Brasileiro após desistência do Rio Preto-SP, as Gurias Coloradas surpreenderam e alcançaram a quinta colocação, sendo eliminadas pela tradicional equipe do Flamengo/Marinha. Durante a competição, as comandadas de Maurício Salgado travaram grandes duelos e desafiaram algumas forças da modalidade no Brasil. Na 9ª rodada, uma  vitória contra o Santos, no Pacaembu, já mostrava que o clube gaúcho não estava para brincadeira em sua primeira participação na elite nacional.

(Foto: Mariana Capra / S.C. Internacional)

 

Com a quinta colocação no Brasileirão A1 e a participação encerrada no certame nacional, o Inter tinha como foco o título gaúcho, que havia sido conquistado pela última vez em 2017, na retomada da modalidade pelo Clube do Povo – em 2018, a chance do bicampeonato consecutivo escapou dentro do Beira-Rio, em um clássico Gre-Nal. No ano passado, então, era a hora de retomar a hegemonia, imposta ainda no século passado, quando a gerente de futebol, Duda Luizelli, ainda era atleta. E assim foi. Com uma campanha irretocável, vencendo dois dos três clássicos no Campeonato Gaúcho – e empatando o outro -, as Gurias Coloradas levantaram a taça da primeira edição da competição com final em jogo único. O 4 a 2 sobre o Grêmio, no Estádio 19 de Outubro, em Ijuí, garantiu mais um troféu no armário do Estádio Beira-Rio.

 

Reforços de peso

Se o elenco colorado já contava com jogadoras de nível de Seleção Brasileira principal (Bruna Benites e Fabi Simões) e muitas atletas com rodagem pelas categorias de base canarinho, a janela de transferências veio com presentões para a torcida colorada. Também com experiências com a amarelinha, o Inter apresentou Byanca Brasil, Djeni Becker e Kemelli para a temporada 2020. 

 

Byanca Brasil, atacante

(Foto: Mariana Capra / S.C. Internacional)

 

Campeã gaúcha pelas Gurias Coloradas em 2017 e artilheira na China, onde atuou pelo Wuhan Jiangda, a atacante de 24 anos retorna ao Inter. Byanca tem passagens por grandes clubes do futebol feminino brasileiro, como Corinthians/Audax, Centro Olímpico, Kindermann e Foz Cataratas, e coleciona títulos importantes: uma Libertadores, duas Copas do Brasil, um Gauchão, um Campeonato Carioca e dois Campeonatos Paranaenses.

 

Djeni Becker, meia

(Foto: Mariana Capra / S.C. Internacional)

 

A maior artilheira da história do Iranduba deixa o Hulk da Amazônia para reforçar o time do Internacional. Também com 24 anos, a meio-campista chega para disputar a titularidade em um setor muito forte na esquadra colorada. Antes de chegar ao Iranduba, onde fez história, a catarinense passou pelo principal time de seu estado, o Kindermann e também pelo São José, do interior paulista. Conta com uma Copa do Brasil, 5 Campeonatos Catarinenses e 3 Campeonatos Amazonenses no currículo.

 

Kemelli, goleira

(Foto: Mariana Capra / S.C. Internacional)

 

Outra catarinense, a goleira de apenas 20 anos chega para reforçar a briga por uma posição que conta com grandes atletas. Antes de proteger a meta colorada, Kemelli vestiu as camisas de Santos, Flamengo, 3B, Iranduba e Juventus de Jaraguá-SC. Venceu um Campeonato Carioca.

 

Celeiro de Ases também do futebol feminino

(Foto: Élis Rodrigues)

 

Eternizada no hino do clube gaúcho, a expressão “Celeiro de Ases” é motivo de muito orgulho entre os colorados. Ela faz referência à tradição colorada de formar atletas. No futebol feminino não é diferente. Soberanas em solo gaúcho com a conquista da taça estadual nas categorias Sub-14, 16 e 18, a nível nacional também tiveram conquistas. A Liga de Desenvolvimento Sub-16 e o Campeonato Brasileiro Sub-18 – primeira competição de categorias de base da modalidade organizada pela CBF, ficaram no lado vermelho de Porto Alegre e renderam frutos para o elenco profissional do Internacional. Com passagens pela categoria adulta em outras situações, inclusive estando presentes e fazendo parte da campanha do título do Gauchão em 2019, Belinha, Isa Haas, Jheniffer, Julia, Malu, Mayara, Queila e Tai Flores foram integradas oficialmente ao time profissional em 2020.

 

Manutenção dos destaques

(Foto: Élis Rodrigues)

 

Muitas das vezes, não perder seus destaques pode ser considerado um reforço no mundo do futebol. E, disso, as Gurias Coloradas não podem reclamar. Os principais nomes da última temporada seguiram vestindo vermelho e branco e ainda podem contribuir. Yasmim; Leidi, Bruna Benites, Sorriso e Carol Gomes; Ju, Shasha, Nana e Mariana Pires; Fabi Simões e Luana Spindler: esse foi o 11 inicial colorado na final do último Campeonato Gaúcho. E todas as atletas da lista seguem no clube em um ano que tem tudo para ser um divisor de águas no futebol feminino do Inter.

 

Comando técnico mantido

Maurício Salgado chegou ao comando técnico do colorado em 2019 com uma árdua missão: substituir Tatiele Silveira, que havia perdido apenas duas partidas em dois anos na casamata do Internacional. Bari dirigiu a equipe em um momento de renovação do elenco, em uma adaptação à primeira divisão e conseguiu bons resultados, apesar de algumas vezes ser cobrado por parte da torcida. 

(Foto: Élis Rodrigues)

 

Para 2020, com o vínculo renovado, Maurício Salgado conhece o grupo que tem na mão e ainda teve uma pré-temporada mais focada no nível de elite nacional – já que no início da temporada passada, quando Maurício foi apresentado, as Gurias Coloradas ainda estavam qualificadas apenas para o Brasileirão A2. Com amistosos contra a Seleção Uruguaia Sub-20, o time do Inter chega com outros tipos de teste para um campeonato difícil como o Brasileiro A1. “O fato de a gente vir jogar aqui envolve toda uma função de planejamento de viagem, concentração. A gente antecipa um pouco o que a gente vai ter no Campeonato Brasileiro”, afirma Bari, que tem passagens por grandes clube do futebol feminino brasileiro e acumula vasta experiência em campeonatos importantes, como o Brasileiro e a Libertadores.

 

Longe de casa

A questão levanta discussões, mas não é incomum vermos os elencos femininos de diversos clubes não jogando em seus próprios estádios. Na Europa ou no Brasil, por inúmeros fatores como custos e logística, as partidas são disputadas em locais alternativos. O Inter teve, em Porto Alegre, duas casas no ano passado: o Estádio da PUCRS e o Estádio do Sesc Campestre. O clube ainda não confirma se isso será mantido, se haverão jogos no Beira-Rio ou se será escolhido apenas um dos dois citados anteriormente. O que se sabe é que, pelos menos nas primeiras três partidas do Colorado como mandante – contra São José, Kindermann/Avaí e Flamengo/Marinha, o Estádio da PUCRS voltará a ter centenas de camisetas vermelhas e brancas na arquibancada, no isso da temporada e na busca pelo título nacional.