Com a nova exigência da CBF, os times começam a se preparar para 2019.

Com a nova exigência da CBF, os times começam a se preparar para 2019.

6 de janeiro de 2019 Off Por Jogando Com Elas

(Foto: Jogando Com Elas)

 

Confira como está a situação de cada clube da Série A do Brasileirão masculino para 2019.

O início da história do esporte foi marcado por restrições e proibições para as mulheres. No Brasil, por exemplo, somente a partir de 1920 elas tiveram sua primeira participação. Contudo, apenas em 1932 o país teve uma atleta mulher que o representou nessa competição. As mulheres jogavam futebol desde a década de 1930, porém, por proibições legais, as mesmas foram impedidas de praticar essa modalidade esportiva. A discriminação de gênero pode ser observada no decreto – lei nº 3.199, publicado na década de 40, pela Organização dos Esportes, que restringia as práticas esportivas para as mulheres devido às suas características biológicas. Apenas na década de 80 as mulheres conseguiram garantir seus direitos neste meio esportivo, uma vez que a Conferência Nacional do Desporto concedeu o direito à prática de diversas modalidades esportivas, incluindo o futebol.

EXIGÊNCIA DA CBF

Em 2019, após 40 anos desde que deixou de ser proibido por lei, os clubes de futebol do Brasil precisam ter um time de futebol feminino, exigência do regulamento de licenciamento de clubes da CBF. Agora, os 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro serão obrigados pela Conmebol a possuir uma equipe feminina, dar suporte técnico, equipamentos e infraestrutura com campo para treinamentos e participarem de competições nacionais e/ou regionais da CBF ou Federações estaduais. Além disso, o ProFut exige que os clubes disponibilizem manutenção de investimento mínimo no futebol feminino. A CBF também determina que as entidades tenham e apresentem documentos que comprovem a equipe feminina disputando competições nacionais ou estaduais.

Como esta obrigação é válida a partir deste mês, os times têm pouco tempo para se adequarem às novas regras. O Jogando com Elas fez uma análise dos clubes e, com isso, foi traçado um panorama sobre a estruturação da modalidade e como está a situação de cada equipe. Dos times que disputarão a Série A deste ano, sete já possuem o futebol feminino estruturado. São eles: Ceará, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Inter, Santos e Vasco. Outros seis têm projetos encaminhados: Atlético-MG, Bahia, Chapecoense, São Paulo, CSA e Goiás. Apenas dois já iniciaram o planejamento: Athlético-PR e Fluminense. Além disso, cinco equipes não começaram a montar os times: Avaí, Botafogo, Cruzeiro, Palmeiras e Fortaleza.

Equipe feminina em atividade

O clube que mantém uma equipe feminina e que possui uma estrutura melhor é o Santos. O clube é o atual vice-campeão da Libertadores e funciona desde 2015. Ao total, já são quatro temporadas. Em 2017 e 2018, a Vila Belmiro obteve os maiores públicos de futebol em jogos femininos. No comando da equipe está a técnica Emily Lima, primeira mulher à frente da Seleção Brasileira Feminina – cargo que exerceu de novembro de 2016 a setembro de 2017.

Para o treinador e coordenador do Pelotas/Fenix, Marcos Planela, a obrigação das equipes femininas irá ajudar no crescimento da modalidade no país. Mais meninas poderão jogar futebol, afirma Marcos.

Nada é como parece

As novas regras não remetem à profissionalização da modalidade. Atualmente, a remuneração média de uma jogadora varia de R$ 1.500 a R$ 4.000. Um exemplo disso é que somente quatro das 15 equipes vão pagar efetivamente salários às jogadoras. As comandas das equipes do Corinthians e Santos já recebem salários. O Grêmio e o Internacional, que têm parte do elenco profissionalizado, pretendem unificar este quesito ainda neste ano.  Clubes como Atlético-MG, Athlético-PR, Bahia, Ceará, Chapecoense, Flamengo, Fluminense e Goiás realizaram parcerias, ajudando financeiramente às equipes, fornecendo estrutura para os treinos. Além disso, sete equipes foram montadas de forma independente: Corinthians, CSA, Grêmio, Inter, Santos, São Paulo e Vasco.

Em relação a liderança feminina, no comando das equipes, percebemos que ainda é pequena, os homens aparecem em maior número. Somente três das 13 equipes, que já têm técnicos definidos, serão comandadas por mulheres: Solange Bastos, comanda o Bahia; o Fluminense é treinado por Thaissan Passos; e o Santos tem como treinadora Emily Lima. As duas equipes que representam o Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional, ainda não apresentaram seus nomes para o comando da temporada.