Das quadras de futsal aos gramados: Marcela, a meio-campista do Corinthians.

Das quadras de futsal aos gramados: Marcela, a meio-campista do Corinthians.

25 de janeiro de 2019 Off Por Jogando Com Elas

(Foto: Divulgação/Corinthians)

 

Conversamos com a jogadora sobre o início da carreira, suas conquistas e sobre o futuro.

Marcela Nascimento Leandro começou a carreira como jogadora de futsal, e após inúmeras conquistas foi atrás do triunfo no futebol de campo. A mineira passou por grandes clubes paulistas como São Paulo e Santos, e jogou também no futebol sérvio, no Spartak Subotica, clube pelo qual disputou a Champions League. De volta ao Brasil, Marcelinha foi uma das principais jogadoras da equipe campeã brasileira do Corinthians e renovou o contrato com o clube.

 

Confira a entrevista exclusiva com a jogadora:

Jogando com Elas: Com que idade você se deu conta que jogar futebol viraria sua profissão?

Marcela: sempre gostei de jogar futebol desde que comecei a andar, e mais ou menos aos 7 anos me dei conta que poderia jogar profissionalmente.

 

JCE: Durante a sua infância, como sua família  tratava este assunto com você? E quando você tomou a decisão de ser jogadora, como reagiram?

Marcela: meu pai foi jogador profissional e sempre curtiu que eu jogasse de forma lúdica, mas quando virou um trabalho, ele teve um pouco de resistência e minha avó também. Minha mãe sempre deixou eu seguir o caminho que queria.

 

JCE: Quem e o que mais te inspira durante toda sua carreira?

Marcela: todo mundo sempre dizia que meu pai era um excelente ponta esquerda, então isso sempre me inspirou e também sempre acompanhei os jogadores profissionais que estavam no auge na minha infância. Além de sempre ter sido apaixonada pela bola de futebol, até chegava a dormir abraçada com uma bola que ganhei quando pequena.

 

JCE: Você esteve entre a elite de atletas do futsal mundial, o que te levou ao futebol de campo?

Marcela: o futsal foi muito especial pra mim, porque foi onde comecei a competir em alto nível, logo que iniciei não tinha opção de times de campo na minha cidade. Fiz um trabalho de base no futsal muito bom, me deu muita técnica. Após jogar por 3 anos na seleção de futsal, ter sido tri campeã mundial, campeã sul-americana e segunda melhor jogadora do mundo, percebi que tinha alcançado minha melhor performance e queria novos desafios, durante toda carreira sempre quis ser atleta de futebol e essa foi a deixa pra isso acontecer.

 

JCE: Como foi a experiência de jogar a Champions League?

Marcela: foi muito legal, porque me vi disputando uma competição que antes só assistia pela TV na categoria masculina e na feminina acompanhava em redes sociais e alguns sites. Uma competição onde podia prestigiar o melhor do futebol no mundo.

 

JCE: Quais as principais diferenças que você percebeu entre o futebol brasileiro e o futebol europeu?

Marcela: acredito que na Europa estão um nível acima em relação a organização do calendário de jogos e um trabalho muito bem feito na parte tática.

 

JCE: Como foi a sua adaptação quando chegou no Corinthians? 

Marcela: foi muito fácil me adaptar ao Corinthians, primeiro pelo grupo que foi formado, composto de atletas com uma mentalidade bem profissional e pessoas de caráter. Além de uma diretoria e comissão técnica que sempre buscavam o melhor para nossa equipe dentro e fora dos gramados.

 

JCE: Tanto no futsal quanto no futebol de campo: qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

Marcela: os títulos mundiais pelo futsal, disputar uma Champions League, jogar em duas universidades e vestir a camisa do Corinthians.

 

JCE: Agora em 2018 você foi campeã brasileira com o Corinthians, o que dá vaga para a Libertadores. Como foi essa conquista e qual a expectativa pra competição internacional?

Marcela: acreditamos desde o primeiro dia de trabalho que poderíamos conquistar esse título e trabalhamos forte pra isso. Foi incrível trabalhar com esse grupo e emocionante ter sido campeã brasileira pelo Corinthians jogando na ‘’Fazendinha‘’. A expectativa para a Libertadores é de pessoalmente poder conquistar esse título inédito pra mim e também poder dar ao Corinthians e ao torcedor essa grande conquista.

 

JCE: A partir de agora a tendência é termos cada vez mais clubes brasileiros com departamentos de futebol feminino, e consequentemente mais competições. Que mudanças você acredita que precisam ser feitas para que a categoria no país seja mais atrativa e justa para todos?

Marcela: que os grandes clubes possam realmente encarar o futebol feminino de forma profissional, pois tem muito material humano para ser trabalhado. Que todo clube possa ter categoria de base feminina. E que a mídia possa ajudar mais na divulgação e transmissão dos jogos, e com isso atrair mais patrocinadores e aumentar o número de pessoas que prestigiam o futebol feminino.

 

JCE: Você já pensa em parar de jogar? E, quando isso acontecer, você gostaria de continuar atuando no cenário esportivo?

Marcela: no momento não pretendo parar de atuar, mas com certeza penso e planejo um pós carreira. Estou cursando Engenharia Civil que é uma área que me interessa, mas também pelo fato de estar envolvida no cenário esportivo durante toda vida, não descarto essa possibilidade.

 

JCE: Qual mensagem você daria para as mulheres que pretendem seguir carreira no futebol?

Marcela: que persistam e encarem o futebol feminino da maneira mais profissional possível. Não é uma profissão fácil, assim como acredito que nenhuma profissão onde você tenha êxito seja fácil, tudo na vida vem com muita persistência e dedicação, e a carreira de um atleta não é diferente.