De lateral por acaso à uma Copa do Mundo: Letícia Santos e o seu caminho para virar jogadora de futebol.

De lateral por acaso à uma Copa do Mundo: Letícia Santos e o seu caminho para virar jogadora de futebol.

25 de outubro de 2019 0 Por Jogando Com Elas

(Foto: Assessoria / CBF)

 

Jogadora brasileira conta sobre inicio complicado no futebol, adaptação na Alemanha e seleção brasileira.

 

Jovem, com 24 anos, e uma Copa do Mundo disputada. Se há uma década atrás alguém falasse para Letícia Santos que em 2019 a adolescente de Atibaia estaria na França vestindo uma das camisas mais pesadas do futebol, talvez na hora, a ficha não caísse.

Inspirada pela Seleção que encantou o mundo em 2007, na China, a atleta teve a oportunidade de sentir na pele a adrenalina, paixão, alegria e também a responsabilidade de representar o Brasil na maior competição de futebol do mundo.

Fã da experiente e incansável Formiga e do multicampeão Daniel Alves, Letícia deu os seus primeiros passos profissionalmente com um manto verde: o do Palmeiras. Nove anos atrás, através de uma peneira, conseguiu a tão sonhada chance de estar em um time considerado tradicional no futebol brasileiro e não parou mais.

(Foto: Reprodução / Instagram)

 

 

O inicio complicado e a escolha da posição

Mas se engana quem pensa que o fato de estar em um grande clube foi fácil para a atleta. Sem receber salário, a jogadora contou muitas vezes com apoio dos pais para as despesas. “Até cheguei no final do Paulista a retornar para casa por falta de verba, mas voltei porque o treinador na época (Marcelo Frigerio) conseguiu alguém que pudesse me ajudar com isso”.

(Foto: Reprodução / Instagram)

 

Embora hoje seja lateral de oficio, no começo não foi assim. Nos primeiros passos pelo Palmeiras, a chuva e um campo encharcado definiram o futuro da jogadora. “Eu não escolhi ser lateral, eu aceitei (risos). Eu virei lateral ainda durante a peneira que fiz em 2010 no Palmeiras quando eu tinha 15 anos. No dia da peneira estava chovendo muito e a primeira bola que peguei no meio-campo acabou ficando empossada e daí eu pensei: ‘Vou ficar pelas laterais e esperar vir algumas bolas pra poder fazer alguma jogada’. Nisso o Marcelo Frigeri me perguntou se eu era lateral e falei que não e ele me disse que iria me colocar nessa posição e iria me treinar ali (risos)” – declarou.

A instrução e a ajuda do treinador deram certo. Tanto que Letícia se refere a Marcelo como sendo o “cara” que lhe ajudou a se encontrar dentro das quatro linhas e chegar a seleção brasileira.

 

Os primeiros passos na Europa

(Foto: Reprodução / Instagram)

 

Hoje no FFC Frankfurt, da Alemanha, a jogadora que já teve passagens por Santos, XV de Piracicaba, Avaí/Kindermann, São José, além de Avaldsnes IL e SC Sand (também do país bávaro), Letícia se diz contente em atuar fora do Brasil, mas também revela que ficou surpresa por atuar no país europeu por conta de poucas jogadoras brasileiras disputarem a competição.

No aspecto técnico do futebol alemão, Letícia enxergou a oportunidade de aprender com a escola alemã, que segundo ela flui mais rápido.

“Quando eu recebi a mensagem do treinador que gostaria que eu jogasse no S.C Sand, da Alemanha, eu não pensei duas vezes. Por um momento achei que isso seria uma oportunidade que dificilmente viria devido a Liga Alemã ser bem forte e poucas brasileiras jogaram aqui. No começo tive a dificuldade da língua alemã e também na velocidade de jogo que me levou um tempinho pra assimilar, mas foi extremamente importante para a minha evolução e vejo como um presente de Deus em atuar aqui”, ressaltou.

BJLucphotos

(Foto: BJLucphotos)

 

Embora esteja na Alemanha, Letícia vê como interessante a chance de uma dia atuar em outras ligas e vê a inglesa como um possível destino.

“Estou muito feliz aqui e sou um pouco suspeita para falar da Liga Alemã atualmente, porque é muito equilibrada e o nível de dificuldade nos jogos te faz sempre evoluir. Mas vejo hoje a Liga Inglesa crescendo muito e sendo atrativa, então seria interessante ter um dia a oportunidade de jogar lá”.

 

O futuro do futebol feminino no Brasil e o futuro da Seleção 

(Foto: Lucas Figueiredo / CBF)

 

Depois de 2007 o Brasil teve outras oportunidades de vencer a Copa do Mundo, no entanto ainda segue a sina de levantar essa taça inédita. Doze anos após o vice na China, Letícia vê boas chances de a seleção canarinho conquistar a competição mundial daqui pra frente. Para isso é preciso enxergar, perceber que as seleções estão fortes e que é necessário evoluir.

“Atualmente não existe mais seleções fracas. Todos os países evoluíram muito no futebol feminino e temos que continuar no mesmo caminho em todos os aspectos, porque juntando com o nosso talento brasileiro, temos o potencial de figurar entre o topo novamente”.

O sucesso da Seleção também passa pelas origens aqui mesmo em solo verde e amarelo. Mesmo acompanhando pouco as competições nacionais, a lateral-direita enxerga um crescimento na modalidade no Brasil.

“Tenho acompanhado um pouco e vejo crescendo. Hoje temos um pouco mais de visibilidade, meios de comunicação dando um pouco mais de espaço e alguns times tentando cada vez mais se profissionalizar. Então esse é o caminho para fortalecer ainda mais nossa modalidade no país”.

Letícia foi convocada para atuar na Copa do Mundo da França de 2019 e foi titular em todos os jogos do Brasil. As boas atuações da jogadora a fazem figurar ainda entre as que mais aparecem na Seleção. Mesmo após a saída do técnico Vadão e com a chegada da sueca Pia Sundhage, a jovem vem atuando. Mais recentemente, foi confirmada na lista de atletas que disputarão o Torneio Internacional da China, que acontecerá que no início do próximo mês.

Por último, Letícia deixa um recado para as mulheres sonham em seguir no meio esportivo: “Continuem se dedicando e não se deixem levar por atitudes negativas”.