Em busca de um legado: Emily Lima fala sobre o futebol feminino no Equador

Em busca de um legado: Emily Lima fala sobre o futebol feminino no Equador

8 de junho de 2020 0 Por Jogando Com Elas

(Foto: Divulgação / FEF)

 

Treinadora revelou novos projetos para a Seleção Equatoriana e o que espera para o futuro da modalidade no país.

 

Uma das principais treinadoras de futebol em atividade, e a única mulher que participou recentemente do curso de Licença PRO da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Emily Lima chegou para assumir o Equador em dezembro de 2019, após passar por processo seletivo. Com contrato de três anos, o objetivo é classificar a seleção equatoriana para a próxima Copa do Mundo, que acontecerá em 2023, e também contribuir, junto a FEF (Federação Equatoriana de Futebol), para a evolução da modalidade no país. 

Há pouco mais de seis meses a frente da seleção, Emily destaca o modo como o projeto está sendo adotado pela Federação. “As ideias se cruzam e o trabalho é coletivo. Então, com certeza, vamos ter frutos em relação ao futebol feminino no Equador de um modo geral.”

 

JCE: Você aceitou um grande desafio na sua carreira. Aliás, mais um. Nos conta como a Emily e a Federação trabalham para buscar evoluções nas competições e também na Seleção Equatoriana?

Emily: Olha, a Federação vem dando todo o respaldo. O trabalho quando vem de cima para baixo acaba facilitando. A ideia é fazer uma parceria com o governo para que tenha a prática do futebol feminino dentro dos colégios. A gente está em um caminho bem legal, o governo já tem um projeto chamado “jogo limpo”, que trabalha este aspecto também. Fora potencializar ainda mais a competição nacional. Claro que não é só comissão, Seleção e Federação que está criando isso. Eu estou ouvindo todos os treinadores da SuperLiga, treinadores da série A, B, dos campeonatos amadores também […] porque cada um tem uma ideia diferente e a gente chega em um acordo que seja bom para todo mundo e o mais importante: que seja bom para o futebol feminino equatoriano. Então, a gente vem conversando muito sobre a melhora da SuperLiga, que é o nosso campeonato nacional, e o principal que é a criação das competições de base.

(Foto: Divulgação / FEF)

 

Com resultados positivos no final do ano passado, o cenário atual do futebol feminino no Equador, conforme Emily, é de desenvolvimento geral. A treinadora cita, por exemplo, a final da SuperLiga de 2019 onde cerca de 14 a 16 mil pessoas compareceram na decisão. Segundo ela, a mídia também está passando a dar mais atenção para a modalidade. “A Directv já fechou um acordo, um contrato, com a Federação Equatoriana de Futebol para transmissão dos jogos esse ano e mais um espaço: um programa semanalmente sobre a rodada da SuperLiga”, ressalta.

 

JCE: Qual é a realidade do futebol feminino no Equador? 

Emily: A Federação vem criando estratégias para ajudar o desenvolvimento do futebol, não só a SuperLiga, mas do futebol feminino de um modo geral, com algumas estratégias e planos para criação da primeira competição nacional de base Sub-17. Então, a Federação está em desenvolvimento com essa nova filosofia de trabalho, dessa nova gestão que hoje tem a Federação Equatoriana.

(Foto: Instagram / Emily Lima)

 

A categoria de base feminina no país, preocupação antiga da Federação, também está passando por reformulações. Atualmente, há uma regra que obriga as equipes a terem jogadoras menores de 18 anos em seus plantéis e durante as partidas. “A gente entende que é importante, sim, a participação dessas atletas. Estimular as mais novas a estarem participando da SuperLiga”. Além disso, conforme a treinadora, a ideia é que este ano aconteça a primeira edição da competição nacional Sub-17.

Outro foco de Emily é a Seleção Equatoriana. Comandante da equipe, ela revela que, antes da pandemia de covid-19, trabalhos individuais e coletivos estavam sendo realizados para observar jogadoras para futuras convocações. “É um processo natural que todo selecionador, selecionadora faz. Precisa ter esse contato com a atleta, com o clube, com a comissão técnica.”

 

JCE: Como tem sido o seu trabalho na Seleção Equatoriana? Como você tem analisado as atletas? 

Emily: Observações tanto via vídeo, porque têm muitas jogadoras que não estão no Equador. E presencial, com certeza. Essa está sendo nossa forma de avaliação. Referente a isso (convocações), nós estamos criando um scout individual e coletivo, com padrões e aspectos bem definidos, tanto técnico, tático, físico e psicológico. Então, é assim que a gente está (trabalhando). Isso antes, claro, da pandemia (de covid-19).

(Foto: Instagram / Emily Lima)

 

Apesar da suspensão das competições devido a pandemia causada pelo novo coronavírus, Emily informou que, mesmo à distância, segue acompanhando as atletas através das atividades online que os clubes estão repassando para os seus respectivos elencos. A treinadora ainda reforça que um estudo para a retomada dos treinamentos e jogos está sendo realizado, mas que a prioridade “é a saúde das meninas e um retorno seguro.”

 

JCE: Emily, a gente sabe que as atividades estão interrompidas neste momento. Mas há alguma previsão para o retorno? A Federação já começa a trabalhar com datas? 

Emily: Bom, a Federação, junto com o COI (Comitê Olímpico Internacional), criou um protocolo de retorno no futebol de modo geral, tanto para o masculino quanto para o feminino. A Federação vai cobrir todos os gastos de testes, tanto para as jogadoras quanto para os jogadores. Estamos estimulando um retorno da SuperLiga Feminina em agosto, mas a gente, em conjunto, toda a seleção feminina representando a Federação, junto com todos os corpo técnicos das equipes da SuperLiga, estamos tentando entrar em um acordo de quanto tempo a gente acha ideal para retorno, e está dentro de quatro a seis semanas.

Ainda que o isolamento social tenha prejudicado os trabalhos, a projeção para o futuro é positiva. “O processo aqui é amplo. Ele não é somente para a Seleção Equatoriana. Claro que temos nossos objetivos junto a Federação, mas tanto a Federação, como eu, enxergamos que deixar um legado seria muito mais importante do que, às vezes, um resultado”, afirma Emily.

 

JCE: E para encerrar: o que você espera atingir com a Seleção Equatoriana e o que deseja fazer pela modalidade no país? 

Emily: Então, eu prefiro, muitas vezes, deixar um legado que eles possam dar sequência neste desenvolvimento e daqui a 8, 10, 12 anos a gente possa ver o resultado, do que a gente obter o resultado novamente de classificação para o Mundial, mas que depois da competição tudo se acaba. Eu não entendo isso como o ideal. A minha vinda para cá não foi somente por resultado e, sim, (para) deixar um legado para o país referente ao futebol feminino. Mas, claro, que nós temos os nossos objetivos específicos dentro da Federação, que é colocar o Equador no topo do ranking sul-americano, tanto no principal, como nas categorias de base. A gente tem outro objetivo específico que é a retomada do Equador no ranking da FIFA, então já havíamos planejado todas as nossas datas FIFA para esse ano. Temos o objetivo de classificação para o Mundial (adulto) e, também, das categorias Sub-17 e Sub-20, em 2022.