“Eu sinto que ser a única apresentadora é também servir de inspiração para muitas meninas que amam o futebol e que também querem trabalhar com isso”, comenta Ale Xavier, do Desimpedidos.

“Eu sinto que ser a única apresentadora é também servir de inspiração para muitas meninas que amam o futebol e que também querem trabalhar com isso”, comenta Ale Xavier, do Desimpedidos.

18 de julho de 2018 Off Por Jogando Com Elas

A jornalista contou como foi a sua trajetória até chegar no maior canal esportivo do Brasil no YouTube.

Alessandra Guasti Xavier, ou como é conhecida, Ale Xavier, é uma jornalista nascida em Piracicaba, interior de São Paulo, e a única apresentadora do maior canal esportivo no Brasil, o Desimpedidos. Ale entrou no canal em 2017, depois de participar do concurso “Muleke da Base”. Entre diversos assuntos abordados na entrevista, Ale contou como foi trocar a Globo, empresa em que ela trabalhava antes de ir para o YouTube, para uma experiência totalmente diferente. Confere como foi o papo com ela:

 

Você sempre quis atuar no meio esportivo? Como surgiu esse desejo?

“Na verdade, quando eu me formei no colégio, eu não sabia o que queria fazer da vida. Não sabia qual carreira seguir. Eu sempre amei esporte e pratiquei vários, até que, em um domingo de manhã, depois de sair para correr num parque, voltei para casa e liguei a TV. Estava passando Esporte Espetacular, com a Glenda Kozlowski apresentando. Eu achei aquilo demais! Os repórteres perto do campo cobrindo o jogo, a apresentadora falando de futebol. Decidi ali, naquele momento, que era aquilo que eu queria pra minha vida.”

 

Você já sofreu algum preconceito por jogar ou gostar de futebol?

“Quando você é menor e joga bola com os meninos, toda hora eles te menosprezam por você ser menina. Eles, muitas vezes, não deixam você jogar por não acreditar que você consegue jogar de igual para igual com eles. Não acreditam que o futebol de uma menina possa ser do mesmo nível ou melhor que o deles. Esse preconceito eu sofria direto. Precisava mostrar toda hora que eu era capaz de estar ali no meio deles e jogando de igual para igual, ou até melhor.”

 

Antes de entrar no Desimpedidos, você estava na Globo. Como foi essa troca na sua vida? Quais fatores te levaram a fazer essa troca?

“Quando eu decidi fazer jornalismo, meu grande sonho era estar na Globo e trabalhar com esporte lá. Eu consegui passar no programa de estágio e fiquei lá por dois anos e meio. Foi incrível, conheci todos os grandes nomes da profissão, trabalhei em grandes competições, ia acompanhar os treinos dos clubes nos CTs. Era incrível. Foi bem difícil sair de lá, mas eu sou muito nova e queria ter contato com o outro lado da moeda. Ao mesmo tempo que a Globo me ensinou tudo que sei sobre jornalismo, eu queria ter mais contato com o entretenimento. Queria aprender coisas novas. E está sendo incrível ser apresentadora do Desimpedidos.”

 

Todos os apresentadores do Desimpedidos (Foto: Arquivo Pessoal/Alessandra Xavier)

Como é fazer parte do maior canal esportivo no YouTube do Brasil?

“É uma loucura. As vezes eu não tenho noção do tanto de gente que assiste o canal. Mas é incrível! Poder falar de futebol pra esse tanto de gente, de um jeito descontraído, é a melhor coisa que já fiz. Fico muito feliz em estar no maior canal de futebol do Youtube.”

 

Como você se sente sendo a única apresentadora do Desimpedidos?

“Pra mim, é muito especial. Assim como eu me inspirei em muitas jornalistas, eu sinto que ser a única apresentadora é também servir de inspiração para muitas meninas que amam o futebol e que também querem trabalhar com isso. Fico muito feliz quando recebo mensagens dizendo que faltava alguém para representar as meninas nesse meio e que eu venho fazendo muito bem esse papel. É muito prazeroso!”

 

Você chegou entre os 5 finalistas do “Muleke da Base”. Como foi participar do concurso e ser a única mulher entre os finalistas?

“O processo inteiro foi muito legal. Desde a gravação do vídeo que fiz, até estar entre os cinco finalistas. Claro que fiquei feliz por ser a única mulher entre eles, mas eu sabia que ali, na hora H, todos estavam buscando o seu sonho. Eu nem pensava sobre isso na hora: “nossa, sou a única menina”. Eu queria mesmo era ser a campeã.”

 

No meio da internet, todo mundo recebe diversas críticas diariamente. Como você lida com isso, principalmente com os “haters”?

“A internet é assim mesmo. As pessoas tem mais acesso a você, às suas redes sociais, e, sendo assim, se sentem no direito de te xingar e ofender. Críticas são sempre bem-vindas, desde que te ajudem a crescer. No começo eu respondia, porque não entendia direito o motivo de tanto ódio. Não entendi o motivo das pessoas perderem o tempo da vida delas tentando rebaixar alguém. Mas depois eu vi que muita gente ali está falando da “boca pra fora”. Hoje eu costumo ler tudo e só absorver as coisas que vão me ajudar a melhorar a minha carreira. Responder eu não respondo mais!”

 

Ale Xavier jogando em evento organizado pela Adidas (Foto: Arquivo Pessoal/Alessandra Xavier)

Você faz algumas matérias para o canal dentro dos estádios. Como é a relação com as torcidas? Você escuta muitos comentários impertinentes dos torcedores?

“Na verdade, como o Desimpedidos mostra o lado torcedor, é difícil a gente receber comentários impertinentes. Repórter de TV sofre muito mais que a gente. A gente está ali para mostrar como a torcida é, como está o clima do jogo, o estádio etc. A gente não está ali para criticar o time, apontar os erros. A gente é mais um torcedor no meio de tantos outros, mesmo as vezes não sendo nosso time de coração. E acho que o mais importante é isso: quem acompanha o canal sabe que um dia a gente vai tá no jogo do Corinthians, outro no do Flamengo, outro no do Bahia. A gente vai brincar com todos, falar de todos, torcer pra todos, e assim vai.”

 

Como você enxerga o cenário do futebol feminino no Brasil?

“É bem precário ainda, mas já melhorou bastante. Assim como outros esportes pelo mundo, o feminino é muito mais desvalorizado comparado ao masculino. Mas acredito que com a nova regra da CBF, que exige times femininos para times masculinos que queiram disputar a Libertadores a partir do ano que vem, esse cenário comece a mudar. Claro que a mudança é lenta, mas já é mais um passado dado.”

 

 

Quais mudanças precisam ser feitas para que a categoria no país seja mais atrativa para todos?

“Acredito que com mais incentivo e mídia, o futebol feminino comece a ser mais visado e valorizado no país. Ano que vem tem Copa do Mundo feminina e seria ótimo que todos soubessem. A divulgação é um primeiro passo, tanto para saberem da Copa, como do Brasileiro que rola, da Libertadores que está por vir e assim por diante.”

 

Para finalizar, gostaria que você deixasse um recado para as meninas que desejam, assim como você, seguir na carreira esportiva.

“É meio clichê falar isso, mas nunca desistam dos seus sonhos! Não importa se não tem muito mulher falando de futebol ou se o futebol feminino não é tão valorizado. Se você ama o que você faz, vai com tudo. Tenho certeza que sua carreira será brilhante.”