Multicampeã, Maurine fala sobre o cenário do futebol feminino no Brasil.

Multicampeã, Maurine fala sobre o cenário do futebol feminino no Brasil.

7 de julho de 2018 Off Por Jogando Com Elas

Campeã pela Seleção Brasileira e pelo Santos falou sobre sua carreira, vida pessoal e o futebol feminino.

Maurine Dorneles Gonçalves, gaúcha de 34 anos, revelou que seu amor por futebol vem desde cedo, quando praticava o esporte na escola e assistia os jogos pela televisão. “Meus pais foram os maiores incentivadores da minha carreira, e sempre aceitaram normalmente”, conta Maurine, que com 14 anos já entrou na escolinha do Grêmio, para poder aprender e aprimorar os fundamentos necessários para a prática profissional do esporte. Ela também comenta que desde o começo sempre ouviu comentários do tipo “lugar de mulher é na cozinha” ou “futebol não é para mulher”, mas que nunca pensou em desistir.

Maurine fez parte do time multicampeão do Santos, que ganhou duas vezes a Copa do Brasil e a Libertadores, entre outros títulos que, segundo a jogadora, só foi possível pelo investimento do clube: “Tenho orgulho de ter feito parte desse time e tudo deu certo pelo fato do Santos investir na equipe e acreditar no futebol feminino”, comentou a jogadora.

Após sua passagem pelo Santos, Maurine foi rumo à Women’s Professional Soccer, liga americana de futebol. Ela foi para o Western New York Flash, onde teve a companhia da Marta, a atual melhor do mundo na época, e se tornaram campeãs da liga em 2011. Maurine conta que optou por essa escolha pelo fato de toda jogadora profissional ter o sonho de atuar nos Estados Unidos, pois lá a categoria é muito valorizada.

Maurine atuando pela equipe do Santos (Foto: Arquivo Pessoal/Maurine)

Em 2016, a atleta voltou a defender a camisa do Santos e, segundo ela, o elenco atual pode fazer história assim como o de 2009/2010 fez. Para a jogadora, o Santos sempre entra para ganhar qualquer competição, e a equipe está treinando dia a dia muito forte para brigar em todos os torneios da temporada.

Já na Seleção, Maurine jogou durante anos e ao lado de craques como Marta, Cristiane, Formiga, entre outras. Perguntada sobre o favoritismo que a Seleção sempre teve, mas que nunca se transformou em título de Copa do Mundo, ela responde: “Muitos nos cobram títulos sendo que temos pouco apoio para a modalidade. Precisamos muito mais para que a Seleção possa crescer, como visibilidade, patrocínio, entre outras coisas.”

Recentemente, Maurine anunciou a sua aposentadoria da Seleção Brasileira. Segundo ela, a escolha foi feita por vários motivos, mas que hoje já é passado. Perguntada sobre uma possível convocação do atual técnico da Seleção, Vadão, ela fala: “A Seleção agora para mim é só como torcedora mesmo”.

Quando o assunto foi títulos, Maurine comenta que com o Santos já conquistou todos os possíveis, mas que com a Seleção faltou uma Olimpíada. Sobre a aposentadoria, Maurine ainda não pensou em parar, mas que pretende ter uma família, casar, ter filhos e, quem sabe, abrir um projeto de futebol feminino no futuro.

Ao falar sobre os principais momentos de sua carreira no futebol, a jogadora destaca dois pontos até então, um como melhor e outro como pior momento de sua carreira: O melhor foi quando marcou um gol de falta pelo Santos na Libertadores, faltando 1 minuto para o término do jogo. E o pior foi quando ela perdeu seu pai, Assis Brasil Dorneles Gonçalves, durante a disputa do Pan-Americano do México, pela Seleção. Maurine decidiu ficar com a equipe para a disputa do torneio, e acabou marcando o gol contra o México, que classificou a Seleção para a final da competição. “Creio que Deus me abençoou muito ali e meu pai ficou muito feliz lá do céu”, disse a atleta.

Atualmente, apesar do crescimento, a jogadora ainda vê a falta de visibilidade e interesse dos patrocinadores para o Brasil se tornar uma potência no esporte. Maurine ainda lembra que no início de sua carreira era bem complicado, pois eram poucos times e as atletas não recebiam salários. Segundo ela, a criação e o investimento em categorias de base nos clubes ajudariam a formar atletas mais preparadas para o profissionalismo.

Para finalizar a entrevista, Maurine deixa um recado para todas as meninas que tem o desejo de seguir carreira no mundo esportivo: “Nunca desista dos seus sonhos por mais difíceis que seja. Trabalhe sério e busque sempre o melhor sem pisar em ninguém”.