“O futebol me escolheu”, declara Rosana, jogadora do Santos.

“O futebol me escolheu”, declara Rosana, jogadora do Santos.

20 de novembro de 2018 Off Por Jogando Com Elas

(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC)

 

A meio campista Rosana, concedeu uma entrevista exclusiva para o Jogando Com Elas. A atleta falou sobre sua carreira, futebol feminino e seus planos para o futuro.

Rosana dos Santos Augusto, atual meio-campista da equipe do Santos, não carrega somente a semelhança do nome (seu e de seu time), mas também a paixão pelo esporte que pratica. Em uma carreira brilhante, com passagens pelo exterior e Seleção Brasileira, a jogadora é um espelho para as garotas que sonham em atuar na profissão. E como muitas, começou jogando com meninos, onde afirma: “o futebol me escolheu”.

 

Início do sonho

Perguntada sobre como foi a reação de seus familiares quando decidiu ser jogadora, Rosana conta que encontrou dificuldades, principalmente por parte do pai, mas que recebeu apoio da mãe e irmãos. “A minha mãe aceitou bem, me apoiava bastante, ela e meus irmãos (duas irmãs e um irmão). Meu irmão foi um dos maiores incentivadores, a pessoa que me levava nos lugares para jogar. Mas meu pai era totalmente contra, tinha preconceito e não gostava muito da ideia. Até que chegou um momento que ele (pai) passou a entender e a me apoiar também”.

 

Preconceito

Quando o assunto foi preconceito, algo bastante comum no futebol feminino, a jogadora afirma já ter sofrido, mas que fica feliz pelo fato de notar a mudança e a diminuição de tal ato. “Já sofri, sim, principalmente antigamente. Sofri na rua e em casa também. Mas hoje vem mudando e fico feliz por isso”.

 

Momentos Marcantes

Com títulos importantes, tanto por clubes, quanto pela Seleção Brasileira, Rosana já passou por momentos importantes no futebol. O site Jogando Com Elas pediu para que ela escolhesse um bom e ruim. “Eu acho que na verdade é um mix. O fato de ter chegado a final na olimpíada, principalmente em 2004, onde o Brasil jogou um futebol vistoso e foi muito elogiado, mas que acabamos ficando com a prata. Ficou um gostinho muito amargo. Posso dizer que foi o melhor e o pior momento”. A atleta também destacou os jogos Pan Americanos de 2007, realizado no Rio de Janeiro, como um bom momento em sua carreira. O Brasil foi campeão desta edição.

 

Caso Emily

Após a demissão da então treinadora da Seleção Brasileira feminina, em 2017, Rosana foi uma das jogadoras que anunciou o fim de sua trajetória na Seleção. Veja o que a jogadora falou sobre: “eu me aposentei da Seleção Brasileira porque eu clamava por mudanças dentro da Seleção e no cenário brasileiro do futebol feminino”. Questionada também sobre um possível retorno (a Seleção está classificada para a Copa do Mundo no ano que vem), a atleta fala que não pensa no assunto. “Eu nunca parei para pensar se retornaria ou não. Eu ainda acho que deve haver algumas mudanças para que eu repense”.

 

Título paulista em 2018

Rosana foi campeã paulista recentemente com a equipe do Santos. A atleta conta como foi essa conquista. “Foi muito gratificante conquistar o título paulista com a equipe do Santos. Considero o campeonato paulista um dos mais difíceis do Brasil, até por São Paulo ser o centro do futebol feminino”. Ela também falou da mudança de posição (passou a jogar na lateral durante a competição). “ Uma posição nova, uma adaptação e fiquei muito feliz por ter correspondido nesta posição, ajudando o Santos a conquistar o título. Então foi bem especial”.

 

Atuação em países estrangeiros X Brasil

Com passagens por Estados Unidos, França, Áustria, Noruega e Brasil, Rosana fala as principais diferenças do futebol feminino nestes países, se comparado ao Brasil. “A principal diferença é estrutural e financeira. Os países da Europa e os Estados Unidos estão muito a frente do Brasil em termos de organização, divulgação e mídia. Enfim, aqui no Brasil a gente ainda está engatinhando e bem distante dos países que o futebol feminino já se tornou uma referência”.

 

Futebol feminino no Brasil

Em fase de crescimento aqui no Brasil, a jogadora do Santos falou também o que espera de mudanças para a modalidade. “Muita coisa precisa ser feita para que o futebol seja mais atrativo. Eu acho que as coisas são interligadas. Então, desde fomentar a modalidade em escolas, na prefeitura, até ter comissões e atletas mais bem preparadas. Criar categoria de base para que as meninas cheguem em boas condições no profissional, ter também um ranqueamento de clubes para que não tenha essa disparidade tão grande nos resultados. Então acredito que essas medidas poderiam ajudar em um futuro próximo o futebol feminino”.

 

Futuro

Com o final de temporada chegando, a atleta foi perguntada se deseja continuar atuando no Brasil ou não. “Eu ainda não consegui definir o meu futuro. Vou esperar a conversa com o Santos porque tenho contrato até dezembro. Mas tenho recebido algumas propostas”. Sobre atuar fora do Brasil, Rosana também falou: “é sempre interessante ir para fora, uma nova cultura, um investimento maior. Então é de se pensar sim, mas não tenho nenhuma decisão concreta”. Sobre pensar em parar de jogar e se gostaria de continuar no meio do esporte, a resposta foi a seguinte: “Penso em parar sim. Estou em momento de transição, já aos 36 anos. Óbvio que jogando em alto rendimento nos dá um gás maior e a temporada que eu fiz no Santos este ano foi animadora. Mas eu estou estudando, pretendo continuar atuando no futebol feminino e me preparando para um futuro muito breve estar nos bastidores do futebol feminino”.

Encerrando a entrevista, Rosana, à pedido, deixou um conselho para as mulheres que desejam seguir carreira como jogadoras de futebol. “Tudo começa por um sonho. O sonho é o oxigênio do ser humano. Então, para todas as meninas e mulheres que desejam seguir no futebol, eu digo: sonhem, tenham metas, corram atrás. A vida de atleta não é fácil, é exceder o limite do corpo o tempo inteiro, abdicar de muitas coisas, mas no final vale muito a pena. Que sigam perseverantes, ambiciosas, para que tenham um resultado final muito feliz”.