“Troquem o medo pela coragem de ser feliz”: Caroline Patatt, em entrevista exclusiva para o Jogando com Elas.

“Troquem o medo pela coragem de ser feliz”: Caroline Patatt, em entrevista exclusiva para o Jogando com Elas.

28 de junho de 2018 Off Por Jogando Com Elas

Jornalista dos canais Fox Sports relata, em entrevista exclusiva, suas experiências no meio esportivo e conta um pouco do início de sua carreira no jornalismo.

 

Caroline Patatt, gaúcha de 29 anos, que hoje vive no Rio de Janeiro, relembra que a escolha pelo jornalismo foi feita ainda na adolescência. No terceiro ano do ensino médio, com o apoio dos pais, optou seguir a área, devido a sua paixão por ler e escrever. “Minha família apoiou, felizmente tenho pais que sempre me deram liberdade para sonhar os meus sonhos e viver minha vida” conta, Caroline.

Com passagens pela TVE e Rede Record, Caroline Patatt completa em agosto 1 ano como repórter dos canais esportivos Fox Sports no Brasil. E segundo a jornalista, existe uma diferença entre o jornalismo do Sul para o do centro do país. “No Rio Grande do Sul temos uma das melhores escolas do país, pelo fato da cobrança ser muito grande e o estilo ser muito mais formal. Quando você chega no centro do país, percebe um jeito mais solto de fazer as coisas. Acaba sendo uma união proveitosa”, relata a jornalista.

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Caroline Patatt em cobertura pelos canais Fox Sports (Foto: Arquivo Pessoal/Caroline Patatt)

Caroline contou como foi largar o emprego que ela tinha na TV Record, em 2016, para aceitar ser free lancer para a Fox Sports na cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio: “Foram os dois meses mais intensos da minha vida, com experiências maravilhosas e muitas histórias para contar. Por isso, aos que perguntam, sempre digo: arriscar em nome de um sonho sempre vale a pena”, declarou a jornalista.
Perguntada sobre a sensação de cobrir uma Copa do Mundo, ela descreve como um “momento mágico”. Ela ainda lembra da primeira Copa do Mundo que assistiu, em 1994: “Tinha seis anos e voltava correndo da escola para casa para ver os jogos. Estava na primeira série e era apaixonada pela seleção da Colômbia, com Higuita, Valderrama”.
Sobre o preconceito que muitas mulheres vivem em seus ambientes de trabalho, Caroline conta que nunca foi impedida de realizar o seu trabalho por ser mulher, mas que por outro lado, existe muito torcedor mal educado que xinga e aborda de maneira desagradável. “Vivemos em uma sociedade historicamente machista e é ilusão achar que teremos de uma hora pra outra o respeito que merecemos”, comenta a jornalista.
A campanha Deixa Ela Trabalhar, no qual Caroline faz parte, foi um sucesso de compartilhamentos nas redes sociais e, segundo a jornalista, já causou efeitos na sociedade. “Uma das coisas mais legais foi trabalhar na final do campeonato paulista entre Corinthians e Palmeiras e, no auge da campanha, ouvir dos torcedores ‘uhul, deixa ela trabalhar, respeita as minas!’, com os caras aplaudindo, ao invés de gracinhas e abordagens indecentes”, relatou. Ela ainda descreve a campanha como uma “sementinha” que é plantada nas pessoas para que, no futuro, talvez tenhamos uma realidade melhor.
Com relação ao futebol feminino, Caroline menciona como “vergonhosa” a distância de investimento e visibilidade entre a categoria feminina e a masculina. Para ela, algumas adaptações no esporte ajudariam a melhorar a prática para as mulheres, mas que mesmo assim dificultaria a difusão. Ela também acredita que a imprensa deveria dar mais valor a modalidade, mas que no geral, o assunto é bem complexo.
Por fim, Caroline deixou um recado para todas as mulheres que pretendem trabalhar no meio esportivo, mas que muitas vezes tem algum receio ou não recebem apoio para atuar nessa área: “Não se intimidem. Não se deixem intimidar. Corram atrás de seus sonhos. Não acreditem em estereótipos. Lembrem-se que apenas o trabalho sério leva ao verdadeiro sucesso, muito mais do que qualquer aparência. Capacitem-se.  Arrisquem. Troquem o medo pela coragem de ser feliz.”