Um amor verde e branco: A torcida feminina do Coritiba.

Um amor verde e branco: A torcida feminina do Coritiba.

4 de julho de 2018 Off Por Jogando Com Elas

O “Passando Pra Elas” é uma coluna semanal, onde abrimos espaço para mulheres, sejam elas torcedoras, jornalistas ou jogadoras, compartilharem um relato ou experiência do seu papel no cenário esportivo. Nesta semana, convidamos Camila Martin, para contar como é a sua relação com o Coritiba, seu time do coração, e com o futebol.

Confira o relato de Camila:

Coleção de camisas do Coritiba da Camila (Foto: Arquivo Pessoal/Camila Martin)

“Meu contato com futebol começou desde criança. Meus pais nunca foram de gostar de futebol, mas meu avô me deu uma camiseta de um dos principais rivais do time que eu torço atualmente. Porém, a inocência de não entender nada sobre futebol, fez com que eu nem ligasse para isso. Meu conceito se resumia em saber se o time ganhou ou perdeu. Quando eu tinha entre 3 e 6 anos, me lembro que ao ir para a casa da minha madrinha, passava em frente ao Couto Pereira, estádio do Coritiba, e gritava: “coxaaaa, coxaaaa”.

Alguns anos depois, em 2009, quando eu já tinha 11 anos, comecei a acompanhar um pouco mais os jogos e os resultados. Era o ano do centenário do Coxa, e foi a primeira vez que fui ao estádio. Foi então que percebi não é só um jogo, não são 22 homens atrás de uma bola. No mesmo ano, o time foi rebaixado. Lembro que estava em outra cidade e não conseguia assistir pela televisão, então tive que acompanhar pelo rádio mesmo.

Comecei a frequentar o estádio mais regularmente em 2016, depois de insistir muito com minha mãe, pois ela se preocupava com o perigo que é frequentar os estádios, seja pelas brigas entre as torcidas ou por ser um ambiente predominantemente masculino. Ela ficava com um pé atrás, pois não sabia se eu seria respeitada por ser mulher, torcedora e acompanhar o time com sol, frio, chuva, seja o que for. O importante é que eu não queria abandonar meu time do coração. Como estudo a noite, e tem alguns jogos durante semana todo mês, logo no início do semestre já vejo quantos jogos vai ter, para eu cuidar com as faltas na faculdade. As vezes vou no primeiro período e corro para o jogo, o importante é estar junto com o time, nem que seja só no segundo tempo.

Camila acompanhando seu time do coração no estádio (Foto: Arquivo Pessoal/Camila Martin)

Atualmente, o percentual de mulheres frequentando os estádios vem crescendo, porém ainda é um local com muito mais presença masculina e, infelizmente, ainda é comum ouvir muitos comentários machistas, como “o que é um impedimento?”. Temos que sempre estar provando que vamos lá por que gostamos e podemos estar aonde a gente quiser.

Acredito que ainda há muitas barreiras a serem enfrentadas nos estádios. Entre a torcida, já podemos notar um respeito maior, porém o próprio clube muitas vezes não têm iniciativas para atrair o público feminino. Um exemplo disso, é que mesmo a torcedora que é sócia, paga a mensalidade em dia, não tem direito a voto para a diretoria do clube, sendo que todos os demais sócios homens têm direito a escolher quem vai comandar o clube.

Tenho orgulho em dizer que sou coxa branca e perceber que, sozinha ou acompanhada, posso frequentar o estádio e ser respeitada como mulher, ver que ao meu redor tem muitas mulheres comparecem aos jogos, torcem, argumentam e estão sempre representando a nação alviverde.”